Carta Pastoral a favor da Vida

O Supremo Tribunal Federal (STF) promoveu uma série de audiências públicas para instruir ou instaurar processo sobre uma ação que pede a despenalização do aborto até a 12ª semana de gestação e, deste modo, legalizar o aborto e a morte do bebê. Fiquei entristecido quando pessoas cristãs se posicionaram a favor de tal medida; portanto, decidi escrever a posição da nossa diocese, como o Bispo Diocesano.

A Igreja Livre da Inglaterra, conhecida como a Igreja Anglicana Reformada do Brasil, acredita que as Escrituras Sagradas nos ensinam a defender à vida e responder em contra da cultura da morte. Há valores que não se podem ignorar pelas terríveis consequências que tem para a sociedade.

Não matar é um mandamento ontológico inscrito na consciência da humanidade. Portanto, a vontade de alguns e os desejos egoístas de outros, não devem ser suficientes para aprovar leis que transmitem moralidade e aprovação social a morte. Sobretudo, a morte de uma criança desprotegida no ventre da própria mãe.

É preciso ter presente que não há como legalizar o aborto, e este é o real objetivo que temos visto hoje no Brasil. O direito à vida é uma cláusula pétrea da constituição (Art. 5). O aborto é a violação do direito à vida do nascituro. As campanhas em favor do aborto reduzem a questão somente a um de seus aspectos, qual seja, a saúde. Os movimentos a favor do aborto dizem defender os direitos da mulher, porém esquecem de defender o direito da vida que o maior dos direitos humanos. O direito à vida é, e sempre deve ser, o maior dos direitos. Não existe dignidade humana se não defendemos a vida daqueles que não têm voz. O direito à vida é a pedra fundamental da própria existência, sua defesa principalmente onde se encontra ameaçada, e justo ali onde não tem como se defender.

Os movimentos contra a vida poderão desenvolver os seus argumentos sociais a favor do aborto. Porém não podem negar que o aborto é matar o feto que sente alegria, dor, e treme diante do bisturi. E diante do Deus da vida, é um crime, um pecado. Pode-se descriminalizar o aborto no papel, nas leis, mas não na consciência, porque nem tudo o que é legal é justo, nem digno. A voz da consciência sempre perguntará como perguntou a Caim: “onde está seu irmão?”

O óvulo fecundado é uma pessoa plena, tem código genético diferente de seus genitores, por isso a tradição jurídica proclama que o nascituro é pessoa humana e tem direito à vida.

A solução dos problemas sociais não deve passar pela morte dos mais fracos, mas pela promoção da vida e a dignidade das pessoas. Por esta razão, a nossa diocese deve trabalhar com diligência para promover leis que favoreçam a educação, melhor emprego e a justiça social conforme ensina a Palavra de Deus.

Nossa diocese está caminhado do lado do povo brasileiro, como mostrou anos atrás o IBGE , a maioria da população brasileira é contra o aborto. Não podemos permanecer calados diante de tal absurdo. É nosso dever e obrigação falar por todas as vidas que se encontram silenciadas por uma cultura egocêntrica e desumana que promove uma visão de mundo centradas na irresponsabilidade.

Nas próximas semanas, estarei publicando um documento apresentando os argumentos teológicos, bíblicos e sociais pelos quais os Anglicanos Reformados somos a favor da vida, e contra o aborto.

Somos a favor da vida, e contra o aborto, somos Anglicanos.

Revmo. Josep M. Rossello Ferrer
Bispo Diocesano da Diocese Sul-Americana
Free Church of England