Depois de uma semana de protestos no país, é interessante refletirmos sobre três pontos muito importantes: primeiro, o caráter apartidário dessas manifestações, o que se constitui algo positivo; segundo, esse vandalismo absurdo que tem marcado essa onda de protestos; e terceiro, os caminhos – ou muito positivos ou preocupantes – que esse protesto pode tomar.

Por que essas manifestações estão sendo apartidárias?

Após assumir o poder, o governo do PT cooptou a maioria dos demais partidos políticos, formando a maior base aliada do mundo e da história do nosso país. Nem na cada vez mais totalitária Venezuela existe uma base aliada como no Brasil, representada por mais de 80% dos parlamentares no Congresso Nacional. Além disso, nesses 10 anos de governo petista, os poucos oposicionistas ainda formaram uma oposição tímida, que sequer fazia cócegas no governo. Se não fosse parte da imprensa, que cumpriu o seu papel brilhantemente, revelando escândalos terríveis e cobrando explicações e investigação, as coisas seriam piores.

Nas ruas, nenhum protesto, porque quem liderava os protestos no Brasil nos anos 90 para cá sempre foram os movimentos sociais ligados ao petismo: MST, UNE e movimentos sindicais. Todos eles receberam centenas de milhões de reais do governo nestes últimos anos para se prestarem como marionetes do petismo – o que, na prática, já eram, sendo que agora muito mais fiéis devido aos subsídios governamentais que acorreram ao encontro deles.

Ora, com uma oposição fraca e uma classe política esmagadoramente beijando a mão do governo, além da ocorrência dos maiores casos de corrupção da história do Brasil República e do silêncio dos movimentos sociais – que só protestam conforme a agenda dos seus senhores no poder –, só poderia ocorrer isso: uma indignação da população com toda a classe política. Rapidamente, a maioria da população passou a não se sentir mais representada pelos políticos que estão aí.

Um gráfico do Datafolha divulgado na edição de ontem do jornal Folha de São Paulo mostra isso em números: em 2003, 31% dos brasileiros confiavam muito nos partidos políticos, 42% confiavam um pouco e apenas 22% não confiavam de jeito nenhum nos partidos. Hoje, porém, exatos 10 anos depois, o quadro reverteu-se dramaticamente: 44% não confiam em partidos políticos, 35% confiam pouco e só 16% confiam muito. O mesmo gráfico mostra que, em 2007, já havia ocorrido uma virada da opinião dos brasileiros sobre os partidos, com a maioria (então 40%) dizendo que não confiava mais em partido algum, sendo que agora, em 2013, o gráfico do desprestígio dos partidos políticos chegou ao seu auge.

Não por acaso, nota-se que, nesses protestos, há gente tanto dos espectros ideológicos de esquerda como de direita, mas que não aceitam a presença de bandeiras de nenhum partido político nos protestos; e quando elas aparecem – geralmente do PSTU, PSOL, PCO e correlatos – são logo vaiadas pela multidão. De Bandeiras, são aceitas só as do Brasil.

Por um lado, é interessante ter um movimento que não possa ser cooptado por eventuais “oportunistas” políticos; porém, por outro lado, estamos em uma democracia representativa, e é muito perigoso flertar com um modelo de democracia exclusivamente participativa, que ignore o Congresso Nacional. O parlamento é necessário. Ruim com o parlamento, pior sem ele. Além disso, a Constituição já prevê situações específicas em que o povo pode entrar com projetos de lei no parlamento brasileiro; logo, espera-se que esses protestos, para que tenham um efeito ainda maior, possam resultar em propostas concretas levadas ao parlamento.

Aliás, isso nos leva a outra reflexão sobre esses protestos: não basta você protestar contra algo, é preciso ser também propositivo. Que soluções são sugeridas para alguns dos problemas levantados? Eis aí mais um fator que prova a importância e a imprescindibilidade do parlamento, que deve se tornar verdadeiramente atuante, procurando priorizar temas de interesse da população, buscando soluções concretas. A tal “democracia direta” não é solução, além de abrir brecha para regimes radicais autoritários. Que esses protestos resultem em um Congresso Nacional mais atuante em favor da população.

Sobre os vandalismos

Infelizmente, vandalismos terríveis, atos criminosos e excessos de todo tipo têm marcado esses protestos, e sobre tudo isso é preciso dizer algumas coisas.

Em primeiro lugar, as análises “dois pesos, duas medidas” que boa parte da imprensa fez, no início dos protestos, no que diz respeito aos atos de vandalismo e violência de manifestantes, e à reação policial. Muitos jornalistas repetiam exaustivamente, quase como um mantra, a afirmação de que é preciso diferenciar os manifestantes radicais e hostis dos manifestantes pacíficos, que são maioria. Ok, é verdade, mas o problema é que essa mesma distinção não era feita em relação à polícia. Houve policiais que se excederam, mas não a maioria, que só fez mesmo coibir manifestantes radicais para tentar manter a ordem pública, e e muitas vezes também se defender. Entretanto, tanto se generalizou na crítica à polícia, dizendo que os manifestantes só teriam agido com violência porque supostamente “provocados pela polícia”, que, nos protestos seguintes, a polícia recebeu a ordem de ficar no seu lugar, deixando os manifestantes à vontade. E aí, sem a suposta “provocação da polícia”, foram vistos os piores atos de vandalismo dos últimos anos na história do Brasil.

Agências de banco destruídas; guaritas policiais queimadas; carros, ônibus e até van da TV Record incendiados; lojas arrombadas e assaltadas; prédios e patrimônios públicos destruídos; policiais linchados em praça pública… Os próprios jornalistas, como os da TV Globo, tiveram que andar de seguranças, disfarçados e sem o logotipo da emissora de tevê.

Engraçado foi ver, logo depois, a mesma imprensa que tanto batera nos policiais pedir a presença urgente da polícia. Ué, não eram os policiais que “provocavam” a violência? Tudo não seria pacífico se a polícia não interviesse?

Sim, a maioria dos manifestantes é pacífica e luta por causas justas, mas não se pode ignorar que entre os manifestantes há muitos anarquistas, radicais de esquerda, vândalos e muitos jovens e adolescentes “cabeças de vento”, sem limites, que vão atrás desses radicais. Todos estes descontrolados e ensandecidos devem ser coibidos com repressão policial e serem responsabilizados pelos seus crimes.

Só para evidenciar a sandice desse grupo minoritário de manifestantes hostis: muitos deles usam uma máscara trazendo o rosto estilizado de um terrorista do século 17 na Inglaterra, Guy Fawkes, que, em 1605, na chamada Conspiração da Pólvora, foi preso quando tentava explodir o parlamento britânico para matar todos os parlamentares. A máscara se popularizou no filme “V de Vingança”, que é baseado em uma história do quadrinista anarquista Alan Moore, onde um anarquista e terrorista inglês, que é apresentado como herói, usa essa máscara.

Qualquer cristão ou pessoa com o mínimo de bom senso não pode apoiar esses tipos de mentalidade, manifestações hostis e radicalismos. É absolutamente absurdo. Deve-se apoiar manifestos pacíficos e por causas justas.

E agora, depois da queda do preço das passagens?

Resta saber agora, depois da queda do preço das passagens pelo Brasil (que era, obviamente, a pauta mais fraca dos protestos, posto que o aumento não foi injusto – falamos sobre isso anteontem – clique AQUI), quais serão as reivindicações dos que se propõem a fazer ainda protestos nos próximos dias. Que caminhos tomarão?

Lembrando que os protestos começaram com essa história das passagens e foram liderados inicialmente pelo grupo radical Movimento Passe Livre, mas logo em seguida a população aproveitou esses protestos para protestar contra outras coisas e muito mais interessantes.

Pois bem, será que continuarão protestando – e desta feita sem vandalismos – contra os temas novos que surgiram nos últimos dias, engrossando os protestos: o combate à PEC 37, que quer tirar o poder de investigação do Ministério Público; manifestações contra os mensaleiros, no final do julgamento do mensalão; e contra os impostos altos e a gastança pública? Ou será que se perderão em pautas radicais, fora da realidade? É esperar para ver.

Lembrando ainda que nós, cristãos, sabemos que uma sociedade só pode ser transformada mesmo radical e positivamente pelo poder e a influência do Evangelho e não pelo mero mover dos homens. Porém, claro que, como cristãos, além da pregar o Evangelho, devemos apoiar o que é correto e reprovar o que é errado na sociedade, e exatamente usando como parâmetro de nosso posicionamento os princípios do Evangelho. Então, sempre saudaremos como algo bom protestos pacíficos e que defendam causas corretas e reprovaremos protestos violentos ou que defendam causas equivocadas. Acima de tudo, nossa confiança não está nos homens, mas em Deus; porém, enquanto estamos na terra, procuraremos, além de principalmente influenciar as pessoas a Cristo, que é a salvação, também influenciá-las ao bem de forma geral.

Fonte: Redação CPAD News

2016-12-14T22:42:32+00:00