Porque usamos vinho na Ceia do Senhor?

Porque usamos vinho na Ceia do Senhor?

A Bíblia condena fortemente a embriaguez (Dt. 21:20; Pv. 20:1; Ro. 13:13; 1 Cor. 6:10; Gal. 5:21; Ef. 5:18; 1 Pe. 4:3). Por outro lado, ela diz que o vinho não é inerentemente ruim. De fato, as Escrituras dizem exatamente o contrario, ou seja, segundo a Bíblia, o vinho é bom. Temos o uso do vinho de forma positiva e advertência contra a embriaguez. Por exemplo, a palavra usada para referir-se ao “vinho bom” no casamento em Canaã (do grego oinos), é a mesma palavra usada em Efésios 5:18, “Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem…”. E, uma das palavras para “embriaguez” é oinopotes (Mateus 11.9), uma palavra relacionada ao mesmo grego oinos. Neste versículo, os fariseus acusam a Jesus de ser “um comilão e beberrão”. Jesus, portanto, bebia vinho na companhia das pessoas, e não pecava.

O vinho, diz a Palavra de Deus, “alegra o coração do homem” (Salmos 104.15; Eclesiastes 10.9). Além do uso recreativo, o vinho também era usado por razões médicas (1 Timóteo 5.23). O vinho tinto tem mostrado suas virtudes em fortalecer o coração, segundo a medicina moderna. Não é de se estranhar que a Bíblia mostre o vinho como uma das benções de Deus dá aos justos (Pv 3.9-10). Nosso Senhor, Jesus Cristo, santificou o uso do vinho no casamento (João 2), e Ele mesmo bebeu vinho (Mateus 11.18-19).

Quando Jesus instituiu a Ceia do Senhor, era a festividade da Páscoa. Vinho era a bebida usada na ceia da Páscoa, e Jesus bebeu o “fruto da videira” com os apóstolos (Lucas 22.18). O “fruto da videira” era como os judeus se referiam ao vinho nos tempos de Jesus.

““Fruto da videira” é o termo designado por Jesus na instituição da Ceia do Senhor… é a expressão empregada pelos judeus desde tempos imemoriáveis para o vinho tomado nas ocasiões sacras, como a Páscoa e na noite do Sábado (Mishnah Berakoth 6.1). Os gregos também usavam o mesmo termo como sinônimo do vinho que era capaz de produzir intoxicação (Herodotus i.211, 212).” – Davis Dictionary of the Bible Illustrated (Baker, 1973), ed. John D. Davis, p. 868.

O vinho foi usado quase universalmente na Ceia do Senhor em toda a história da igreja até 1870s. Somente a partir de 1849 isso mudaria. Naquele ano, um pastor congregacionalista, de nome Moses Stuart, publicou um folheto defendendo a ideia de que “quando a Bíblia fala sobre vinho de forma negativa, se refere ao fermentado, e quando a Bíblia louva o vinho, significa… suco de uva.” Obviamente, ele interpretou de forma equivocada o oinos do casamento de Canaã em João 2 como suco de uva, e a mesma palavra oinos em Efésios 5.18 e Mateus 11.19 como “fermentado”.

Entrementes, o Dr Thomas Welch, um dentista e oficial de uma Igreja Metodista Episcopal em Nova Jersey, estava preocupado sobre o uso do vinho da Comunhão. Sua preocupação devia-se ao crescente problema de embriaguez nos Estados Unidos. Dr. Welch se converteu em um ativista do movimento de Temperança na América, que advogava a total abstinência do álcool. Assim, em 1869, Dr Welch inventou o suco não-fermentado de uvas, e recomendou seu uso ao pastor da sua igreja para a Ceia do Senhor. Em 1916, os Metodistas tornaram o uso do suco de uva obrigatório, e muitas outras igrejas protestantes seguiram o exemplo, de modo que a prática se espalhou rapidamente entre as igrejas evangélicas na América e, a partir dos USA, à todo o mundo.

Porém, vinho, e não suco de uva, é a bebida ordenada por Jesus para a Santa Comunhão. Por isso nós assim praticamos, como se lê no Cânon I.9 –  DO PAO E VINHO PARA A SANTA COMUNHÃO

Os Guardiões de cada Paróquia, com o parecer e a direção do Ministro, proverão uma quantidade suficiente de pão e de vinho de acordo com o numero de comungantes que receberão os mesmos. O pão será da melhor e mais pura farinha de trigo que convenientemente possa ser conseguida e o vinho será suco fermentado de uva, a não ser que vinho sem álcool seja aceitável no entendimento do Ministro. Substituir o uso de vinho (incluindo o suco de uva) é proibido.