Mensagem Episcopal do Domingo de Ressurreição

Caro irmãos, a graça e a paz do nosso Senhor, Jesus Cristo, esteja sempre contigo e esteja fortalecendo suas vidas neste dia. Oro para que estas palavras sejam de forças e animo em meio das lutas e os conflitos que enfrentamos cada dia.

Cristo Ressuscitou. Aleluia!!!

No coração dos homens há um desejo de felicidade. Essa afirmação evidente nem sempre se vê na prática. O que acontece é que nos contentamos, frequentemente, em ir levando a vida e não pensamos nos ensinos e as coisas de Deus, o que diz muito ao respeito às nossas ânsias mais humanas. Esse desejo de felicidade é também uma espécie de nostalgia, de saudades do paraíso perdido acompanhadas de certa melancolia. Desde que o ser humano foi expulso pelo seu pecado do jardim do Éden, dedicou-se a vagar pelo mundo sem encontrar a paz e a segurança que só pode encontrar perto de Deus, o Reino perdido segue sendo anelado pelos nossos corações em meio de tantas lutas.

Neste Domingo de Páscoa podemos cantar o “Aleluia”, pois o Pai ressuscitou Seu Filho e a nós que cremos Nele. Cristo, morrendo, destruiu a morte, ressurgindo deu-nos a vida e restaurou o Reino perdido. Nós somos testemunhas do acontecimento da Ressurreição porque acolhemos o testemunho dos Apóstolos como Pedro afirma na casa de Cornélio: “E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles O mataram, pregando-O numa cruz. Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos” (At 10,40-41). São testemunhas de um Vivo. Esta relação pessoal com Jesus, depois de ter passado pela morte e ressuscitado, deu aos apóstolos e aos discípulos o poder para anunciar e libertar aos cativos. Assim Pedro reconhece a presença do Espírito na casa de Cornélio, centurião romano. Ali mesmo reconheceu que a boa notícia é para todos. O Espírito Santo é dado também aos pagãos. Por isso podem também receber o batismo. A Ressurreição é obra de Deus.

Não basta ver, é preciso crer…

Os discípulos Pedro e João, ao anúncio de Madalena, correm ao túmulo. Pedro entrou no túmulo e viu. João viu e creu. É o Espírito que vai abrir a mente e o coração para que entendam se arrependem e creiam. É a fé na Ressurreição que garante a salvação e o testemunho. Ele está vivo. A mulher é a primeira testemunha, como a Igreja é a primeira a testemunhar que Cristo está vivo e a garantia de sua presença no meio de nós. O Espírito Santo ensina que a Ressurreição é garantia de vida eterna. Morrendo destruiu a morte, ressurgindo deu-nos a vida. A nós também cabe não somente saber, mas crer, isto é, seguir a vida de Jesus e obedecer os ensinos de Cristo a partir dos frutos da Vida Nova. Paulo insiste: “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto; … Aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres” (Cl 3,1-2). Crer significa um novo modo de viver. Não há fé só intelectual, mas gera o modo de vida. Ela conduz também ao anúncio da certeza da Ressurreição.

Vida escondida em Cristo

Fazemos parte da História da Salvação. A Ressurreição nos une a Cristo, como disse Paulo: “Vós morrestes e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus” (Cl 3,3). Estar com a vida em Deus é o novo nascimento. A fé nos gera para Deus. Celebrando a Ressurreição, lembramos que Cristo morreu por nós e por nossos pecados. E a Igreja de Cristo se renova e renasce. A mudança de conduta acontece quando nos seguimos a Jesus e nos abrimos a ação do Espírito Santo. Tiramos o pecado do nosso coração, como tiramos as pedras da porta do sepulcro, e manifestamos a nova vida em Cristo. A Páscoa não é um acontecimento passado. Acontece em cada domingo quando nos congregamos para a oração comum. O Domingo de Ressurreição acenda sempre em nós o desejo de seguir adiante, e não desanimar quando tudo parece perdido. Ninguém está perdido em Cristo.

Os sepulcros que visitamos

Quantas vezes também nós visitamos sepulcros? Nenhuma! Pensemos melhor. Não me refiro somente àquelas vezes que nós acompanhamos o cortejo fúnebre de algum amigo, familiar ou conhecido. Refiro-me àquelas visitas pessoais nas quais chegamos até mesmo a retirar as lápidas pensando que encontraríamos algo. Já sabíamos o que estava lá dentro, mas mesmo assim quisemos abrir aqueles túmulos: ossos ressequidos, mal cheiro e vermes a alimentar-se. A descrição pode ser verdadeiramente tétrica, mas é real. Cada vez que nós fomos cavando atrás dos pecados, dos vícios e das paixões, acaso não encontramos exatamente isso: mau cheiro, prazer passageiro, decepção, dor de consciência e sentimento de ruina?

Também Pedro e o outro discípulo que o relato bíblico não nos diz o seu nome, mas pensamos que seja João, “foram ao sepulcro” (Jo 20,3). O interessante é que a história deles não foi semelhante à nossa. Eles não encontraram maus cheiros, nem dor de consciência ou coisas semelhantes. Não encontraram nada disso, mas também não encontraram o Senhor. Claro! Jesus já ressuscitou.

Jesus ressuscitou! Essa é a mensagem da Igreja de Cristo. Nós não precisamos mais ir vagando pelo mundo em busca do paraíso (reino) perdido. O nosso paraíso (reino) é o Senhor que faz da nossa alma o seu paraíso, é aí onde ele pode novamente passear tomando a brisa da tarde. Nós não podemos mais viver uma vida lúgubre, como se fôssemos pessoas que andam quais mortos vivos. Jesus nos ressuscitou com ele para que vivamos nele e para ele.

O morto está vivo!

Nós, os cristãos, não seguimos a alguém que está morto. Como dizia aquela senhora de 45 anos, mãe de cinco filhos, numa discussão com algumas campesinas: “Jesus morreu por mim na cruz? O que Maomé fez por vocês?”. Asia Bibi, assim se chama essa valente confessora da fé, é do Paquistão, ela negou-se a converter-se ao islamismo em 2009, foi condenada a morte, mas, com grandes dificuldades, conseguiu a anistia. Para Bibi, Jesus está vivo!

A morte e a ressureição de Jesus é para nós garantia de pertença a uma nova nação, a nação dos filhos de Deus. Jesus morreu e ressuscitou por mim, por cada um de nós. Ninguém jamais imaginou um amor tão forte que nem a morte pôde derrotar. Como diz o Cântico dos Cânticos: “As torrentes não poderiam extinguir o amor, nem os rios o poderiam submergir. Se alguém desse toda a riqueza de sua casa em troca do amor, só obteria desprezo” (Ct 8,7).

Da parte de Deus é assim, nada nem ninguém pode extinguir o amor que ele tem por nós. Da nossa parte a coisa pode ser diferente. Poderíamos infelizmente seguir atrás de sepulcros, atrás do fedor e da feiura. Seria a nossa infelicidade. Paradoxalmente, pensamos que fazendo isso estamos sendo felizes. Às vezes podemos estar obcecados com uma quimera de felicidade. O Senhor ressuscitado nos dá a vida e nós, às vezes, buscamos a morte; ele nos dá as verdadeiras alegrias quais joias de ouro e nós vamos atrás de bijuterias; ele nos dá o céu e nós buscamos cair no inferno. Que absurdo! Ao menos a partir de hoje será diferente, pois Jesus venceu a morte e nos abriu o caminho para a vida eterna com sua Vida na Ressurreição. Jesus ressuscitou para a nossa salvação.

O convite da celebração do Domingo de Páscoa é ressuscitar com Jesus. Com a Ressurreição de Jesus, nós também ressuscitamos para a Vida, mas continuamos na vida. Para completar esta Vida em nós, o apóstolo Paulo nos convida a andar na terra, mas com a visão no Reino de Cristo.

Estar ressuscitado é buscar as coisas celestes, como oramos cada domingo, “seja feita tua vontade no céu, como na terra”. Não tira a gente do mundo, mas tira o mundo de dentro da gente. É dar sentido divino ao que vivemos na natureza que Deus nos deu.

Como Pedro e João, corremos ao túmulo para crer que Ele vive. É dia de alegria total, pois nosso Redentor redimiu a todos e nos abriu as portas do Paraíso. Com a Páscoa recebemos as maiores riquezas. Por que perder toda esta riqueza por tão poucas coisas?

Ele vive. Aleluia, aleluia!

Autor: Revmo. Josep M. Rosello Ferrer

 

2016-02-15T15:46:55+00:00

Caro irmãos, a graça e a paz do nosso Senhor, Jesus Cristo, esteja sempre contigo e esteja fortalecendo suas vidas neste dia. Oro para que estas palavras sejam de forças e animo em meio das lutas e os conflitos que enfrentamos cada dia.

Cristo Ressuscitou. Aleluia!!!

No coração dos homens há um desejo de felicidade. Essa afirmação evidente nem sempre se vê na prática. O que acontece é que nos contentamos, frequentemente, em ir levando a vida e não pensamos nos ensinos e as coisas de Deus, o que diz muito ao respeito às nossas ânsias mais humanas. Esse desejo de felicidade é também uma espécie de nostalgia, de saudades do paraíso perdido acompanhadas de certa melancolia. Desde que o ser humano foi expulso pelo seu pecado do jardim do Éden, dedicou-se a vagar pelo mundo sem encontrar a paz e a segurança que só pode encontrar perto de Deus, o Reino perdido segue sendo anelado pelos nossos corações em meio de tantas lutas.

Neste Domingo de Páscoa podemos cantar o “Aleluia”, pois o Pai ressuscitou Seu Filho e a nós que cremos Nele. Cristo, morrendo, destruiu a morte, ressurgindo deu-nos a vida e restaurou o Reino perdido. Nós somos testemunhas do acontecimento da Ressurreição porque acolhemos o testemunho dos Apóstolos como Pedro afirma na casa de Cornélio: “E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles O mataram, pregando-O numa cruz. Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos” (At 10,40-41). São testemunhas de um Vivo. Esta relação pessoal com Jesus, depois de ter passado pela morte e ressuscitado, deu aos apóstolos e aos discípulos o poder para anunciar e libertar aos cativos. Assim Pedro reconhece a presença do Espírito na casa de Cornélio, centurião romano. Ali mesmo reconheceu que a boa notícia é para todos. O Espírito Santo é dado também aos pagãos. Por isso podem também receber o batismo. A Ressurreição é obra de Deus.

Não basta ver, é preciso crer…

Os discípulos Pedro e João, ao anúncio de Madalena, correm ao túmulo. Pedro entrou no túmulo e viu. João viu e creu. É o Espírito que vai abrir a mente e o coração para que entendam se arrependem e creiam. É a fé na Ressurreição que garante a salvação e o testemunho. Ele está vivo. A mulher é a primeira testemunha, como a Igreja é a primeira a testemunhar que Cristo está vivo e a garantia de sua presença no meio de nós. O Espírito Santo ensina que a Ressurreição é garantia de vida eterna. Morrendo destruiu a morte, ressurgindo deu-nos a vida. A nós também cabe não somente saber, mas crer, isto é, seguir a vida de Jesus e obedecer os ensinos de Cristo a partir dos frutos da Vida Nova. Paulo insiste: “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto; … Aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres” (Cl 3,1-2). Crer significa um novo modo de viver. Não há fé só intelectual, mas gera o modo de vida. Ela conduz também ao anúncio da certeza da Ressurreição.

Vida escondida em Cristo

Fazemos parte da História da Salvação. A Ressurreição nos une a Cristo, como disse Paulo: “Vós morrestes e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus” (Cl 3,3). Estar com a vida em Deus é o novo nascimento. A fé nos gera para Deus. Celebrando a Ressurreição, lembramos que Cristo morreu por nós e por nossos pecados. E a Igreja de Cristo se renova e renasce. A mudança de conduta acontece quando nos seguimos a Jesus e nos abrimos a ação do Espírito Santo. Tiramos o pecado do nosso coração, como tiramos as pedras da porta do sepulcro, e manifestamos a nova vida em Cristo. A Páscoa não é um acontecimento passado. Acontece em cada domingo quando nos congregamos para a oração comum. O Domingo de Ressurreição acenda sempre em nós o desejo de seguir adiante, e não desanimar quando tudo parece perdido. Ninguém está perdido em Cristo.

Os sepulcros que visitamos

Quantas vezes também nós visitamos sepulcros? Nenhuma! Pensemos melhor. Não me refiro somente àquelas vezes que nós acompanhamos o cortejo fúnebre de algum amigo, familiar ou conhecido. Refiro-me àquelas visitas pessoais nas quais chegamos até mesmo a retirar as lápidas pensando que encontraríamos algo. Já sabíamos o que estava lá dentro, mas mesmo assim quisemos abrir aqueles túmulos: ossos ressequidos, mal cheiro e vermes a alimentar-se. A descrição pode ser verdadeiramente tétrica, mas é real. Cada vez que nós fomos cavando atrás dos pecados, dos vícios e das paixões, acaso não encontramos exatamente isso: mau cheiro, prazer passageiro, decepção, dor de consciência e sentimento de ruina?

Também Pedro e o outro discípulo que o relato bíblico não nos diz o seu nome, mas pensamos que seja João, “foram ao sepulcro” (Jo 20,3). O interessante é que a história deles não foi semelhante à nossa. Eles não encontraram maus cheiros, nem dor de consciência ou coisas semelhantes. Não encontraram nada disso, mas também não encontraram o Senhor. Claro! Jesus já ressuscitou.

Jesus ressuscitou! Essa é a mensagem da Igreja de Cristo. Nós não precisamos mais ir vagando pelo mundo em busca do paraíso (reino) perdido. O nosso paraíso (reino) é o Senhor que faz da nossa alma o seu paraíso, é aí onde ele pode novamente passear tomando a brisa da tarde. Nós não podemos mais viver uma vida lúgubre, como se fôssemos pessoas que andam quais mortos vivos. Jesus nos ressuscitou com ele para que vivamos nele e para ele.

O morto está vivo!

Nós, os cristãos, não seguimos a alguém que está morto. Como dizia aquela senhora de 45 anos, mãe de cinco filhos, numa discussão com algumas campesinas: “Jesus morreu por mim na cruz? O que Maomé fez por vocês?”. Asia Bibi, assim se chama essa valente confessora da fé, é do Paquistão, ela negou-se a converter-se ao islamismo em 2009, foi condenada a morte, mas, com grandes dificuldades, conseguiu a anistia. Para Bibi, Jesus está vivo!

A morte e a ressureição de Jesus é para nós garantia de pertença a uma nova nação, a nação dos filhos de Deus. Jesus morreu e ressuscitou por mim, por cada um de nós. Ninguém jamais imaginou um amor tão forte que nem a morte pôde derrotar. Como diz o Cântico dos Cânticos: “As torrentes não poderiam extinguir o amor, nem os rios o poderiam submergir. Se alguém desse toda a riqueza de sua casa em troca do amor, só obteria desprezo” (Ct 8,7).

Da parte de Deus é assim, nada nem ninguém pode extinguir o amor que ele tem por nós. Da nossa parte a coisa pode ser diferente. Poderíamos infelizmente seguir atrás de sepulcros, atrás do fedor e da feiura. Seria a nossa infelicidade. Paradoxalmente, pensamos que fazendo isso estamos sendo felizes. Às vezes podemos estar obcecados com uma quimera de felicidade. O Senhor ressuscitado nos dá a vida e nós, às vezes, buscamos a morte; ele nos dá as verdadeiras alegrias quais joias de ouro e nós vamos atrás de bijuterias; ele nos dá o céu e nós buscamos cair no inferno. Que absurdo! Ao menos a partir de hoje será diferente, pois Jesus venceu a morte e nos abriu o caminho para a vida eterna com sua Vida na Ressurreição. Jesus ressuscitou para a nossa salvação.

O convite da celebração do Domingo de Páscoa é ressuscitar com Jesus. Com a Ressurreição de Jesus, nós também ressuscitamos para a Vida, mas continuamos na vida. Para completar esta Vida em nós, o apóstolo Paulo nos convida a andar na terra, mas com a visão no Reino de Cristo.

Estar ressuscitado é buscar as coisas celestes, como oramos cada domingo, “seja feita tua vontade no céu, como na terra”. Não tira a gente do mundo, mas tira o mundo de dentro da gente. É dar sentido divino ao que vivemos na natureza que Deus nos deu.

Como Pedro e João, corremos ao túmulo para crer que Ele vive. É dia de alegria total, pois nosso Redentor redimiu a todos e nos abriu as portas do Paraíso. Com a Páscoa recebemos as maiores riquezas. Por que perder toda esta riqueza por tão poucas coisas?

Ele vive. Aleluia, aleluia!

Autor: Café com o Bispo

 

2016-12-09T01:01:28+00:00