200 anos de Anglicanismo no Brasil

Em 2010, os anglicanos brasileiros comemorarão 200 anos de presença no Brasil. Essa data, sem dúvida, deve ser lembrada por nós com alegria, mas também com certa preocupação e “mea culpa”. Por quê?

Em 1810, graças a um acordo de Comércio e Navegação assinado entre Portugal e Inglaterra, foi possível a criação no Brasil das primeiras capelanias, a fim de servir de suporte à Comunidade Britânica que aqui habitava, composta por diplomatas, comerciantes, marinheiros e suas respectivas famílias. Os cultos eram em inglês e não poderiam ser realizados no vernáculo; as capelas não poderiam ter forma externa de templo, o que só aconteceu depois da República.

Em 1890, chegam os primeiros missionários americanos, Kinsolving (depois bispo) e Morris, que iniciaram o trabalho no Rio Grande do Sul. Até a década de 40 do século XX, a hegemonia evangélica, o aspecto protestante do anglicanismo foi preservado. E com isso, houve um crescimento acelerado da Igreja Episcopal Brasileira.

O tempo passou, o anglo-catolicismo chegou e, aos poucos, foi se deteriorando num catolicismo liberal que provocou tanto a diminuição de fiéis, debandando para outras confissões cristãs, quanto o surgimento de algumas jurisdições anglicanas alternativas, chamadas genericamente de “continuantes”.

A Igreja Anglicana Reformada é herdeira desta História também. Somos uma jurisdição nova, com poucas comunidades e membresia, mas que tem uma proposta séria dentro da visão missionária e evangélica dos primeiros missionários. Queremos resgatar o Anglicanismo Histórico, livre do anglo-catolicismo e do Liberalismo, apegado às Escrituras, aos Credos Históricos, aos XXXIX artigos de religião, ao LOC e ao Ordinal de 1662 como padrão litúrgico. Mas, ao mesmo tempo, queremos ser uma igreja moderna, reavivada, que responda aos desafios e oportunidades do século XXI.

Concordamos com o amado Bispo da Diocese do Recife – Comunhão Anglicana quando diz: “as igrejas do passado são as igrejas do futuro”. Devemos, sim, olhar para frente, para os desafios, mas sem esquecer quem somos, quem fomos e de onde viemos. “Quem não sabe de onde veio, não sabe quem é e nem para onde vai”.

2010 para os anglicanos brasileiros, portanto, tem que ser um ano para refletir, pensar sobre o nosso passado, e lembrar do “primeiro amor”: “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras;”(Ap 2:5). 2010 deve ser um ano de confissão de pecados e de restauração, não apenas de festa.

Que a seriedade de nossas ações e a clareza de nosso testemunho sejam para a glória de Deus.