Bispo Todd Hunter, o anglicano acidental

Em sua viagem da Calvary Chapel através da Vineyard, a igreja emergente, o Curso Alfa e, agora, a Missão Anglicana na América, Todd Hunter se manteve fortemente centrado em evangelismo. O Cristianismo Americano, como a costa do sul da Califórnia, é atingido por muitas ondas. Como um nativo desta região, Todd Hunter pegou algumas dos mais notáveis disjuntores evangélicos.
No Outono (dos USA) de 1979, ele e sua esposa, Debbie, foram os primeiros plantadores de igrejas enviados por John Wimber, de Calvary Chapel de Yorba Linda—dois anos antes que o grupo se unisse ao nascente movimento Vineyard. Em 1994, Hunter foi eleito coordenador nacional da Associação das Igrejas Vineyard. Em 2000, ele se converteu em um assessor para o plantio de igrejas para Allelon (um grupo devoto cultivando a igreja missionaria). Quatro anos depois, ele assumiu a liderança do Alfa USA, um programa evangelístico desenvolvido por uma paróquia anglicana evangélica e carismática na Inglaterra. E depois de quatro anos mais, ele deixou a liderança do Alfa para começar a Society for Kingdom Living, em Boise. Mas então ele foi recrutado para plantar 200 igrejas Anglicanas na costa oeste dos Estados Unidos, foi ordenado presbítero este Março (2009) e um bispo missionário em Setembro (2009).
Hunter é a história de uma miscelânea de modas? Ou é sua carreira uma historia dos ventos frescos que têm soprado através do panorama religioso da América?
Você só se tornou um presbítero Anglicano em Março (2009) e um bispo neste mês (2009). Alguma vez você imaginou remotamente ser parte do Anglicanismo?
Duas das pessoas que ajudaram a formar minha teologia, no principio da minha vida cristã foram J. I. Packer e John R. W. Stott. Por meio de John Wimber, me reuni com a maioria dos lideres anglicanos carismáticos no mundo. No Alfa, cresceu o meu amor e respeito pelos lideres Anglicanos. Eu não estava a caminho de Canterbury e, portanto, não estava esperando-o. Mas agora me dou conta de que eu me encaixo nesta tribo.
Quando você deixou a liderança de Vineyard, se conectou ao movimento das igrejas emergentes que estava surgindo. Que apreendeu?
Vinculei-me ao emergente, porque amei estes jovens Cristãos que estavam tentando descobrir a igreja e o que significava ser um seguidor de Jesus nesta era. Assessoramos plantadores de igrejas em todo o mundo que estavam tentando criar comunidades de fé que tivessem relevância aos amigos na era pós-moderna e pós-Cristã..
Agora, não se pode criticar todo o movimento emergente, mas eu vi dois grandes problemas no mundo emergente.
Primeiro, os emergentes são tão sensíveis sobre os temas de comunidade, relações, igualitarismo e sentido não-utilitarista nas suas relações, que o evangelismo tem sido entendido simplesmente como um sinônimo de manipulação. Em outras palavras, se você e eu trabalhamos juntos e somos amigos e eu pudesse influenciar seu caminho (levar você) a Cristo, então isto é considerado como uma coisa equivocada nestes círculos. Eu não posso ser seu amigo, se eu tento levá-lo a Cristo.
Segundo, depois de 10 ou 12 anos da igreja emergente, precisamos perguntar onde alguma coisa tem sido construída. Evangelismo tem sido silenciado e a construção normal de estruturas e processos não tem acontecido, porque não tem positivas e imaginativas formas de criar evangelismo ou liderança. Estas coisas são utilitárias, e por isso são especialmente difíceis.
Que você pensa sobre as igrejas no modelo de seeker—se este significa “modo não participativo”?
Eu adoro todas as pessoas que buscam (seekers), e eu era um deles. Mas hoje ninguem que quer ser um seeker e seguidor de Deus do mesmo modo que Jesus, o que se quer ‘e uma religião a praticar. Eu estou me perguntando se o Anglicanismo e outras correntes fundadas nas praticas espirituais não vão ser usadas por Deus de uma maneira especial que não tem sido usada desde os tempos da fronteira da America e Wesley. A America vai ser cada dia mais secular e hostil contra a igreja. Mas quem vai construir a ponte ao próximo Cristianismo autentico que emerge, vai ser aquele que viva um Cristianismo pratico e serio. Penso que vai haver um avivamento de religião.
O senhor está plantando igrejas que requerem que as pessoas entendam liturgia. Como conseguir conectar as pessoas com as tradições antigas?
O livro que acabo de escrever se chama “Da Igreja outra oportunidade: Encontrando um novo significado nas práticas espirituais” (InterVarsity). Eu mostro aos leitores o sentido de um culto desde o prelúdio a bendição, e tento reformular o prelúdio, a leitura das Escrituras, o sermão, e adiante, mostro como estas praticas podem ser disciplinas espirituais que animam, vitalizam e avivam a nossa vida espiritual em Cristo.
Em um culto publico, eu não vestia todas as vestimentas. Eu queria dar as pessoas simplesmente um pouco de liturgia. Então, quando eu fui atrás da mesa, eu coloquei a estola, e falei, “Esta é uma estola. Na mesma noite que Jesus falou, ‘Faz isto em memória de mim,’ ele colocou uma toalha em torno de si, lavou os pés dos discípulos, e falou, ‘Vejam, eu estou dando o exemplo.’ Esta estola é um símbolo: eu como servo e no’s juntos como uma comunidade assumindo a toalha de Jesus.”
Quando damos a paz, eu falo, “Isto costumava ser uma atividade revolucionária. Quando estavas em uma igreja de uma aldeã e sabias que alguém havia roubado uma de tuas vacas, e ele estava aqui para participar da Comunhão, este era o momento para ir e restaurar a relação.” Estas explicações simples fazem com que as pessoas realmente fiquem surpresas.
Você está construindo a igreja de experiência em experiência.
Sim, porque eu estou trabalhando principalmente com pessoas sem nenhuma experiência de igreja, ou pessoas que foram da igreja e tiveram uma ma experiência na igreja. Esta é minha visão real: Eu sinto que eu realmente compreendo a angustia dos pós-modernos e pós-cristãos entre os 16 e os 29 anos. Sei de pessoas nessa idade que estáo dormindo com quem querem e são vagamente espirituais, mas não tenho certeza de que eles querem ser religiosos. Eu tenho uma visão deles orando a oração de confissão semana após semana, e eu fazendo formação espiritual com eles, não dizendo, “o pecador, você não pode dormir com ele ou ela”, mas dizendo: “Por que você não vem à igreja toda semana e simplesmente ora esta oração, e depois volta a ver-me em um mês?”
Sobre algumas dessas pessoas, honestamente, não sei em que acreditam. Eu tenho uma visão de dizer-lhes: “Não se preocupe com isso. Eu quero que você venha à igreja toda semana, durante seis meses. Basta dizer o Credo, e vamos desenvolver uma amizade tomando o café todas as semanas.” E vou perguntar: “O que faz você tropeçar?”
Eu tenho uma visão da liturgia como um instrumento para o evangelismo e discipulado, uma ferramenta que está fundamentada nas Escrituras.
Como fazer as orações do povo – que metodicamente cobrem todo tipo de intercessão que devemos fazer – formar a imaginação de um adorador?
O Cristianismo é para o bem dos outros. E orar as orações do povo nos ajuda na orientação de enfocar nossas orações nos outros, que é fundamental para ser o povo de Deus.
Quando você pensa do principio ao fim nas orações do povo, então percebe que você deveria se preocupar com esse cara sem emprego ou esta viúva ou aquela pessoa doente. Eu posso usar essas orações para formar outra cosmovisão orientada. E eu vou ensinar explicitamente sobre essas coisas, mas apenas pouco a pouco.
No livro, mostramos do principio ao fim um culto litúrgico típico. Veja o prelúdio. Falo como gosto de entrar na igreja dez minutos antes e estar em silencio enquanto um prelúdio esta sendo cantado. Então,explico como as disciplinas espirituais históricas de silencio e solidão podem informar, capacitar, e avivar uma espiritualidade Cristã genuína.
Eu pego coisas que todos pensam que são chatas e falo sobre como elas estão ligadas a práticas espirituais históricas e podem informar a espiritualidade cristã em um cenário pós-moderno e pós-cristandade. Espero que esteja dizendo estas coisas de uma forma que as pessoas possam ouvir.
Você estará plantando igrejas em alguns lugares realmente difíceis. Como de Anglicanas estas igrejas serao?
Estamos planejando estas igrejas com preocupação missionária e pastoral. Elas serão Anglicanas em teologia e Anglicanas na estrutura, mas elas podem não parecer Anglicanas.
Em “Cristianismo Além de Fé”, você pôs de lado a apologética de evidencias a favor de uma apologética de comportamento. Qual é o papel da apologética?
Eu não ouco mais as pessoas perguntando, “Como se que Jesus ressuscitou?” Mas eu ouco os jovens fora da igreja perguntando, “É a igreja uma força do bem ou do mal?” O Novo Ateísmo esta questionando a bondade essencial da igreja.
Eu não pus de lado a apologética de evidencias. Simplesmente vejo pessoas que veem a uma comunidade baseada mais em experiência, então, começam a perguntar, “Pode mostrar no que acreditamos e por que acreditamos nisso?” Seguimos respondendo a essas perguntas, mas no processo.
Você escreve sobre a importância evangelística de moldar a imaginação. O que significa isso?
A pessoa normal não vive de dados e proposições. Eles vivem de sua imaginação. Quando eu quase me mudei ao estado de Washington para jogar no campeonato de beisebol, o que me animava era o meu sonho de jogar nas ligas principais. Eu sabia os fatos do beisebol. Eu sabia as regras. Eu conhecia a história e os grandes jogadores. Mas o que me alimentou foi a minha imaginação.
Histórias criam imaginação, e imaginação cria possibilidade.
Isto é onde o trabalho de Eugene Peterson sobre o poder da história para dar forma a imaginação tem sido tão útil. Ele diz que se você realmente acha que o cristianismo é uma história sobre ir para o céu quando morrer, então não é por acaso que o discipulado seja como arrancar os dentes. Estou tentando fazer com que as pessoas mudem de histórias para reformular suas imaginações. Se reformulamos o evangelho como algo que nos dá vida, não apenas uma morte confiável, então o discipulado e a missão tornam-se normativos, porque começam a ser mais intuitivos.
Como as pessoas podem mudar para ter uma boa vida maior e uma história de morte confiável?
Na nossa historia, o céu não é a meta; é o destino. Vamos a reinar com Deus eternamente no novo céu e na nova terra. Este é o nosso destino. Mas a meta do Cristianismo é transformação espiritual na semelhança de Cristo.
Se o meu sonho de jogar beisebol tivesse se tornado realidade, eu não teria chamado o meu pai e falado, “Eu estou indo para Nova York.” Não, eu teria dito, “Eu fui chamado pelos Ianques.” Nova York não era a meta. Era simplesmente o destino.
Quando as pessoas estão na viagem de descoberta, em que ponto você acha que O Espírito de Deus está agora levando-o a colocar a questão que nos leva a atravessar a linha?
Em grande parte do evangelismo pós-II Guerra Mundial, pedimos às pessoas para atravessar uma linha de chegada. Assim foi: apologética, apologética, apologética,… então… tudo bem… você agora entende e precisa tomar uma decisão, e você vai ao céu quando morrer. O que eu prefiro ver é apologética, aculturação, dizendo as orações e depois chegar a um acordo, é uma linha de partida: Você está pronto para se tornar um seguidor de Jesus? Agora você pode ver a grande intenção de Deus para a terra, e o que Ele estava fazendo por meio de Cristo e do Pentecostes e criando o povo de Deus? Você está disposto a aderir a esta família e lutar pela causa da família completamente seguindo a Jesus?
Publicado em Christianity Today.