Os 39 Artigos

Os Trinta e Nove Artigos da Religião

Os Trinta e Nove Artigos da Religião foram estabelecidos em 1563, e estão definindo a doutrina anglicana, em relação às controvérsias da Reforma Inglesa; especialmente na relação com a doutrina calvinista e católica romana, bem como as práticas da Igreja Anglicana. O nome é comumente abreviado para os Trinta e Nove Artigos ou os XXXIX Artigos.

No Concílio realizado em Londres no ano de 1562, para evitar a diversidade de opiniões, e estabelecer o comum acordo no tocante à verdadeira Religião. (Livro de Oração Comum, publicado em português em 1866, pela Society for Promoting Christian Knowledge. p.432-444).

A Igreja Anglicana Reformada do Brasil, como uma missão da Igreja Livre de Inglaterra, afirmamos e confessamos os seguintes Artigos da fé Cristã, como temos recebido da nossa igreja mãe:

Há um único Deus, vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo, indivisível não sujeito à paixões, de infinito poder, sabedoria e bondade; Criador e Sustentador de todas as coisas visíveis e invisíveis. E na unidade desta Divindade há três Pessoas, da mesma substância, poder e eternidade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
O Filho, que é o Verbo do Pai, gerado da eternidade do Pai, verdadeiro e sempiterno Deus, e consubstancial com o Pai, tomou a natureza humana no ventre da bendita virgem e da Sua substância; de sorte que as duas inteiras e perfeitas Naturezas, isto é, Divina e Humana, se uniram em uma Pessoa, para nunca mais se separarem, das quais resultou Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem; que verdadeiramente padeceu foi crucificado, morto e sepultado, para reconciliar Seu Pai conosco, e ser vítima, não só pela culpa original, mas também pelos atuais pecados dos homens.
Assim como Cristo morreu por nós, foi sepultado; assim também deve ser crido que desceu ao Hades.
Cristo verdadeiramente ressuscitou dos mortos e tomou de novo o Seu corpo, com carne, ossos e tudo o mais pertencente à perfeição da natureza humana; com o que subiu ao Céu, e lá está assentado, até que volte a julgar todos os homens, no último dia.
O Espírito Santo, procedente do Pai e do Filho, é da mesma substância, majestade e glória que o Pai e o Filho, verdadeiro e eterno Deus.
As Escrituras contém todas as coisas necessárias para a salvação; de modo que tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma que seja crido como artigo de Fé ou julgado como exigido ou necessário para a salvação. Pelo nome de Escrituras Sagradas entendemos os Livros canônicos do Antigo e Novo Testamentos, de cuja autoridade jamais houve qualquer dúvida na Igreja.

Os livros chamados comumente “Os Apócrifos,” não formam parte das Escrituras Canónicas; e, portanto, não devem ser usados para estabelecer doutrina alguma; nem devem ser lidos publicamente na Igreja. Recebemos e contamos por canónicos todos os Livros do Novo Testamento, segundo comumente são recebidos.

O Antigo Testamento não é contrário ao Novo; porquanto em ambos, tanto no Antigo como no Novo, se oferece a vida eterna ao gênero humano, por Cristo, que é o único Mediador entre Deus e o homem, sendo Ele mesmo Deus o Homem. Portanto, não devem ser ouvidos os que pretendem que os antigos Pais só esperaram promessas transitórias. Ainda que a Lei de Deus, dada por meio de Moisés, no que respeita a Cerimônia e Ritos, não obrigue os cristãos, nem devam ser recebidos necessariamente os seus preceitos civis em nenhuma comunidade; todavia, não há cristão algum que esteja isento da obediência aos Mandamentos que se chamam Morais.
Os três credos a saber: os Credos Niceno, Atanasiano e o que normalmente se chama Credo ou “Símbolo dos Apóstolos” devem ser inteiramente recebidos e cridos; porque se podem provar com autoridades inegáveis das Sagradas Escrituras.
O Pecado Original não consiste na imitação de Adão (como em vão propagam os pelagianos); é, porém, a falta e corrupção da Natureza de todo homem, gerado naturalmente da semente de Adão; pelas quais o homem dista muitíssimo da retidão original e é de sua própria natureza inclinada ao mal, de sorte que a carne sempre cobiça contra o Espírito; e, por isso, toda a pessoa que nasce neste mundo merece a ira e a condenação de Deus. E esta contaminação da natureza ainda permanece também nos regenerados, pela qual o apetite carnal, chamado em grego phronâma sarkos (que uns interpretam sabedoria e outros, sensualidade, outros, afeição, e outros, desejo carnal), não é sujeito à Lei de Deus. E apesar de que não há condenação para os que creem e são batizados, contudo o Apóstolo confessa que a concupiscência e luxúria têm de si mesmas a natureza do pecado.
A condição do Homem depois da queda de Adão é tal que ele não pode converter-se e preparar-se a si mesmo, por sua própria força natural e boa obras, para a fé e invocação a Deus. Portanto, não temos o poder de fazer boas obras agradáveis e aceitáveis a Deus, sem que a graça de Deus por Cristo nos preceda, para que tenhamos boa vontade, e coopere conosco enquanto temos essa boa vontade.
Somos reputados justos perante Deus, somente pelo mérito de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo pela Fé, e não por nossos próprios merecidos e obras. Portanto, é doutrina mui saudável e cheia de consolação que somos justificados somente pela Fé, como se expõe mais amplamente na Homilia da Justificação.
Ainda que as Boas obras, que são os frutos da Fé, e seguem a Justificação, não possam expiar os nossos pecados, nem suportar a severidade do juízo de Deus, são, todavia, agradáveis e aceitáveis a Deus em Cristo e brotam necessariamente de uma verdadeira e viva Fé; tanto que por elas se pode conhecer tão evidentemente uma Fé viva como uma árvore se julga pelo fruto.
As obras feitas antes da graça de Cristo e da Inspiração de seu Espírito, não são agradáveis a Deus, porquanto não procedem da fé em Jesus Cristo; nem fazem homens dignos de receber a graça, nem (como dizem os autores escolásticos) merecem a graça de congruidade; muito pelo contrário, visto que elas não são feitas como Deus quis e ordenou que fossem feitas, não duvidamos terem elas a natureza do pecado.
As obras voluntárias, que excedem os Mandamentos de Deus, e que se chamam Obras de Supererrogação, não se podem ensinar sem arrogância e impiedade; porque por elas declaram os homens que não se rendem a Deus tudo a que são obrigados, mas também a favor dele fazem mais do que como rigoroso dever lhes é exigido; ainda que Cristo claramente tenha dito: Quando fizerdes tudo o que vos estás ordenado dizei: Somos servos inúteis.  
Cristo, na verdade de nossa natureza, foi semelhante a nós em todas as coisas, exceto no pecado, do qual foi totalmente isento, tanto na sua carne como no seu Espírito. Ele veio para ser o Cordeiro imaculado, que, pelo sacrifício de si mesmo uma vez oferecido, tirou os pecados do mundo; e o pecado (como diz Apóstolo João) não estava nele. Mas nós, os demais homens, posto que batizados, e nascidos de novo em Cristo, ainda pecamos em muitas coisas; e se dissermos que não temos pecado, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós.
NEM todo o pecado cometido de bom grado depois da conversão é pecado contra o Espírito Santo, e imperdoável. Por isso não deve negar-se a graça do arrependimento aos que houverem caído em pecado depois da conversão. Depois de termos recebido o Espírito Santo, podemos apartar-nos da graça recebida, e cair em pecado, e, pela graça de Deus, levantar-nos de novo, e emendar a nossa vida. Devem, portanto, ser condenados os que dizem que já não podem mais pecar enquanto viverem aqui, e os que negam a possibilidade de perdão às pessoas verdadeiramente arrependidas.
A PREDESTINAÇÃO à vida é o eterno propósito de Deus, pelo qual (antes de lançados os fundamentos do mundo) Ele tem constantemente decretado por seu conselho, a nós oculto, livrar da maldição e condenação os que elegeu em Cristo de entre todos os homens, e conduzi-los por Cristo à salvação eterna, como vasos feitos para honra. Portanto, os que se acham dotados de um tão excelente benefício de Deus, são chamados, segundo o propósito de Deus, por seu Espírito, que opera no tempo devido; pela graça obedecem ao chamamento; são justificados livremente; são feitos filhos de Deus por adoção; são formados à imagem do seu Unigénito Filho Jesus Cristo; vivem religiosamente em boas obras, e, pela misericórdia de Deus, chegam finalmente à felicidade eterna.

Assim como a piedosa consideração da predestinação e da nossa eleição em Cristo, é cheia de um conforto doce, suave e inefável para as pessoas piedosas e para as que sentem em si mesmas a operação do Espírito de Cristo, que vai mortificando as obras da carne e os seus membros terrenos, e arrebatando o pensamento às coisas altas e celestiais, não só porque muito estabelece e confirma a sua fé na salvação eterna que hão de gozar por meio de Cristo, como lhes torna mais fervorosa a natureza do seu amor para com Deus; assim também, para as pessoas curiosas e carnais, destituídas do Espírito de Cristo, o ter sempre presente a sentença da predestinação divina, é um precipício perigosíssimo, por onde o diabo as arrasta ao desespero, ou ao descuido, igualmente perigoso, duma vida impuríssima.

Além disso devemos receber as promessas de Deus, como geralmente nos são propostas na Escritura Santa, e seguir nas nossas obras aquela vontade de Deus, que nos declara expressamente a Palavra de Deus.

DEVEM também ser amaldiçoados os que se atrevem a dizer que todo o homem será salvo pela lei ou na seita que professa, contanto que seja cuidadoso em regular a sua vida segundo essa lei e a luz da natureza; porque a Escritura Sagrada somente nos propõe o Nome de Jesus Cristo como o único em que os homens se hão de salvar.
A Santa Igreja Católica é ‘a comunidade abençoada de todas os fiéis,’ que, unidos em Cristo pela fé, e feitos participantes pelo Espírito Santo, são a ‘Noiva e Corpo de Cristo.’

A igreja visível de Cristo é uma congregação de fiéis, onde se prega a pura Palavra de Deus e se administram devidamente os sacramentos, segundo a instituição de Cristo, em todas as coisas que necessariamente se requerem neles.

Assim como as Igrejas de Jerusalém, Antioquia e Alexandria erraram, assim também a Igreja de Roma errou, não só em sua prática e cerimónias, como também em matéria de fé.

A IGREJA tem poder para decretar ritos ou cerimónias, e autoridade nas controvérsias da fé. Contudo, não é lícito à Igreja ordenar coisa alguma contrária à Palavra de Deus escrita, nem expor um lugar da Escritura de modo que contradiga outro. E, posto que a Igreja seja testemunha e guarda dos Escrituras Sagradas, todavia, assim como não lhe é lícito decretar coisa alguma contra eles, também não deve apresentar o que neles se não encontra, para que seja acreditado como necessário para a salvação.
OS Concílios Gerais (atendendo a que se compõem de homens, que não são todos governados pelo Espírito e Palavra de Deus) podem errar, e algumas vezes têm errado, até nas coisas que pertencem a Deus. E por isso, as coisas que ordenam, como necessárias para a salvação, não têm força nem autoridade, a menos que sejam provadas que tem sido tomadas da Escritura Sagrada.
A DOUTRINA romana relativa ao purgatório, indulgências, veneração e adoração, tanto de imagens como de relíquias, e bem assim à invocação dos santos, é uma invenção fútil e vã, que não se funda em testemunho algum da Escritura, antes repugna à Palavra de Deus.
A NINGUÉM é lícito tomar sobre si o encargo de pregar publicamente, ou de administrar os Sacramentos na congregação, sem ser antes legitimamente chamado e enviado a exercê-lo. E devemos julgar por legitimamente chamados e enviados os que houverem sido escolhidos e chamados para esta obra por aqueles que estão revestidos de autoridade pública, conferida na congregação, para chamar e enviar ministros à vinha do Senhor.
REPUGNA evidentemente a Palavra de Deus, e ao uso da Igreja Primitiva dizer Orações Públicas na Igreja, ou administrar os Sacramentos em língua que o povo não entende.
OS SACRAMENTOS instituídos por Cristo não são unicamente designações ou indícios da profissão dos Cristãos, mas antes testemunhos certos de verdade divina, e sinais da graça, e da boa vontade de Deus para conosco, pelos quais ele fortalece e confirma a nossa fé nele.

Há dois Sacramentos ordenados por Cristo nosso Senhor no Evangelho, isto é, o Batismo e a Ceia do Senhor.

Os cinco vulgarmente chamados Sacramentos, isto é, Confirmação, Penitência, Ordens, Matrimônio, e Extrema Unção, não devem ser contados como Sacramento do Evangelho, tendo em parte emanado duma corrupta imitação dos Apóstolos, e sendo em parte estados de vida permitidos nas Escrituras; não tem, contudo, a mesma natureza de Sacramentos com o Batismo e à Ceia do Senhor, porque não tem sinal algum visível ou cerimônia ordenada por Deus.

Os Sacramentos não foram ordenados por Cristo para servirem de espetáculo, ou serem levados em procissão, mas sim para devidamente os utilizarmos. E só nas pessoas que dignamente os recebem produz um beneficio espiritual; mas os que indignadamente os recebem adquirem para si mesmos a condenação, como diz São Paulo.

POSTO que na igreja visível os maus andem sempre misturados com os bons, e que algumas vezes os maus tenham a principal autoridade de administrar a Palavra e os Sacramentos; contudo, como não fazem isto em seu próprio nome, mas no de Cristo, o crente não é depravados dos benefícios das ordenanças de Deus; porque, ainda que sejam ministrados por homens maus, ainda assim são instituídos por Cristo, e anunciam sua promessa.

Contudo, à disciplina da Igreja pertence inquirir à cerca dos maus ministros, e fazer que sejam acusados por quem tenha conhecimento das suas ofensas; e sendo, finalmente, considerados culpados, por sentença justa sejam depostos.

O BATISMO não só é sinal de profissão e marca de diferença com que se distinguem os cristãos dos que o não são, mas é também sinal de regeneração, ou nascimento novo, pelo qual sinal, como por instrumento, os que recebem devidamente o batismo são enxertados na Igreja; as promessas da remissão de pecados e da nossa adoção de filhos de Deus pelo Espírito Santo, são visivelmente anunciadas; a fé é confirmada, e a graça aumentada por virtude da oração a Deus.

O batismo das crianças deve conservar-se inteiramente na Igreja, como não sendo contrário à instituição de Cristo.

A CEIA do Senhor não só é um sinal do mútuo amor que deve haver entre os cristãos, mas é também um sacramento da nossa redenção pela morte de Cristo; de modo que, para os que devida e dignamente e com fé a recebem, o pão que partimos é uma participação do Corpo de Cristo; e igualmente o cálice de bênção é uma participação do sangue de Cristo.

A transubstanciação (ou mudança da substância do pão e do vinho) na Ceia do Senhor, não se pode provar pela Escritura Sagrados; mas antes repugna às palavras terminantes da Escritura, transtorna a natureza do sacramento, e tem dado ocasião a muitas superstições.

A consubstanciação (ou a doutrina de que Cristo é velado sob o pão e o vinho inalterado) é completamente sem garantia de Escritura, e é produto, igualmente com a transubstanciação, de práticas e erros idolatras.

O Corpo de Cristo dá-se, toma-se, e come-se na Ceia do Senhor, de um modo unicamente celestial e espiritual. E o meio pela qual o Corpo de Cristo se recebe e se come na Ceia, é a fé.

O sacramento da Ceia do Senhor não se guardava, não era levado em procissão, não era exposto, nem adorado por instituição de Cristo.

OS ímpios, e os que não têm fé viva, ainda que carnal e visivelmente mastiguem (corno diz Agostinho) o Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, contudo de modo algum participam de Cristo: antes comem e bebem para sua condenação o sinal ou sacramento de uma coisa tão importante.
O CÁLICE do Senhor não deve negar-se aos leigos; porque ambas as partes do sacramento do Senhor, segundo a instituição e ordem de Cristo, devem ser administradas igualmente a todos os cristãos.
A OBLAÇÃO de Cristo uma vez feita é a completa e perfeita redenção, propiciação, e satisfação de todos os pecados, tanto originais como atuais, do mundo todo; e nenhuma outra satisfação há para os pecados, senão unicamente esta. Portanto, os sacrifícios das missas, nos quais comumente se dizia que o sacerdote oferecia Cristo em remissão da pena ou culpa pelos vivos e defuntos, são fábulas blasfemas e enganos perigosos.
OS bispos, presbíteros e diáconos não são obrigados, por preceito algum da Lei de Deus, a votar-se ao estado celibatário, ou abster-se do matrimónio; portanto, é-lhes tão lícito, como aos demais cristãos, casar, como entenderem, se julgarem que isso lhes é mais útil para viverem piedosamente.
A confissão privada de pecados a um sacerdote, geralmente conhecida como Confissão Auricular, não tem base na palavra de Deus, e é uma invenção humana. Ninguém pode perdoar pecados, como contrario a Deus, mas só Deus.
NÃO é essencial que as tradições e cerimónias sejam em toda a parte as mesmas, e inteiramente semelhantes; porque em todos os tempos têm sido diversas, e podem ser alteradas, segundo a diversidade de países, tempos e costumes dos homens, contanto que nada se estabeleça contrário à Palavra de Deus. Todo aquele que por seu particular juízo, com ânimo voluntário e deliberado, quebrantar manifestamente as tradições e cerimónias da Igreja, que não sejam contrárias à Palavra de Deus, e se achem estabelecidas e aprovadas pela autoridade pública, deve, para escarmento dos demais, ser publicamente repreendido como perturbador da ordem pública da Igreja, como desprezador da autoridade do magistrado e como quem ofende as consciências dos irmãos fracos.

Toda a Igreja nacional, ou particular, tem autoridade para ordenar, mudar e abolir as cerimónias ou ritos da Igreja, instituídas unicamente por autoridade humana, contanto que tudo se faça para edificação.

ESTA doutrina de “Sucessão Apostólica” pela qual é dito que o Ministro na Igreja Cristã deve ser provisão por uma série de ordenações ininterruptas desde os próprios Apóstolos, e sem a mesma não pode haver a Igreja Cristã, nem Ministros válidos, e nem administração certa dos Sacramentos, não tem fundamentos na Escritura, e é produto de grande prejuízo.
O OFÍCIO da consagração de bispos e ordenação de presbíteros e diáconos, estabelecidos por esta Igreja, contém todas as coisas necessárias à referida consagração e ordenação; nem há nele coisa alguma que seja por si mesma supersticiosa ou ímpia. E por consequência, todos aqueles que forem consagrados, ou ordenados, segundo os ritos do sobredito ofício, definimos que todos eles são e serão íntegra, canónica e licitamente consagrados e ordenados..
O PODER do magistrado civil estende-se a todos os homens, tanto clérigos como leigos, em todas as coisas temporais; mas não tem autoridade alguma nas que são puramente espirituais. Portanto, reconhecemos apenas como sua prerrogativa, a qual tem sido dada por Deus nas Escritura Sagrada a todos os magistrados piedosos, o dever de governar justamente sobre todos os estados e pessoas sobre sua responsabilidade, e restringir toda maldade, manter o ordem e julgar os malfeitores e criminosos. E nós cremos ser um dever de todos os que professam o Evangelho, o obedecer respeitosamente à autoridade civil, regular e legalmente constituída. O Bispo de Roma não tem autoridade em esta Republica. Cristãos podem ser punidos pela lei da Republica com morte por crimes abomináveis e graves. É lícito aos cristãos, por ordem do magistrado, tomar armas, e servir nas guerras.
As riquezas e bens dos cristãos não são comuns quanto ao direito, título e possessão. Todos, no entanto, devem dar liberalmente esmola aos pobres, segundo as suas possessões.
ASSIM como confessamos que o juramento vão e temerário é proibido aos cristãos por nosso Senhor Jesus Cristo e por Tiago seu apóstolo (Mateus 5.34-37; Tiago 5.12); assim também julgamos que a religião cristã de nenhum modo proíbe que uma pessoa jure, quando o magistrado o exige em causa de fé e caridade, contanto que isto se faça segundo a doutrina da Bíblia, com justiça, em juízo e com verdade.

 

2016-12-15T10:07:00+00:00